Como era o Brasil antes do SUS

Infelizmente, falta apoio e verbas para a saúde, muitos hospitais e clínicas estão abandonados. Ainda assim, é importante destacar a importância do SUS, o maior sistema público de saúde do mundo, atendendo mais de 100 milhões de pessoas. Em 19 de setembro, o SUS completa 29 anos, e neste vídeo vamos mostrar como era a saúde pública no Brasil antes de sua criação.

O SUS começou a ser planejado na Constituição de 1988, quando ficou estipulado que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. No entanto, ele só foi formalmente criado com a Lei 8.080, em 19 de setembro de 1990, com a missão de ser um sistema universal e gratuito, atendendo todas as pessoas sem distinção de classe social, local de nascimento ou raça. O SUS é sustentado pelos governos federal, estadual e municipal e abrange desde saúde básica até hospitais de alta complexidade.

Números do SUS

Hoje, cerca de três quartos da população brasileira, aproximadamente 150 milhões de pessoas, dependem exclusivamente do SUS. Outros 50 milhões, que possuem planos de saúde privados, também utilizam o SUS eventualmente.

No entanto, antes de 1990, não existia um sistema de saúde que atendesse a todos. Naquela época, o acesso à saúde pública estava ligado à previdência social, o que significava que apenas quem tinha emprego formal e contribuía com o sistema tinha direito à saúde pública. Isso excluía desempregados e trabalhadores informais.

Esse sistema de previdência tornava a distribuição de recursos desiguais. Os estados que mais contribuíam recebiam mais verbas, enquanto estados como os do Norte e Nordeste, onde havia menos empregos formais, recebiam menos recursos.

Durante o regime militar, doenças como dengue e meningite se intensificaram, e as epidemias e a mortalidade infantil aumentaram. Naquela época, a saúde representava apenas 1% do orçamento nacional. Entre 1972 e 1976, quase um milhão e meio de crianças morreram por causas evitáveis, como falta de saneamento, atendimento e desnutrição.

Serviços de saúde

Para tentar resolver isso, foi criado o Inamps, que organizava os sistemas previdenciários, mas ainda assim, apenas trabalhadores formais tinham acesso ao sistema público de saúde. O Inamps também ampliou os convênios com a rede privada, e boa parte dos recursos da saúde pública acabou sendo direcionada para hospitais privados. Em 1978, enquanto os hospitais públicos internavam 250 mil pessoas, os privados atendiam mais de 6 milhões com dinheiro público.

Quem não era trabalhador formal dependia exclusivamente de hospitais filantrópicos e universitários, não existindo qualquer outra opção de atendimento público. E se voltarmos ainda mais no tempo, a situação era ainda mais caótica. Antes da chegada da família real, não havia preocupação com a saúde pública. A população dependia de curandeiros, e a chegada da família real trouxe os primeiros investimentos na criação de universidades e na formação de novos médicos. Mesmo assim, o atendimento era exclusivo para a classe alta.

A situação começou a mudar com a república, através de movimentos sindicais e das indústrias, que criaram os primeiros sistemas de saúde vinculados à previdência, mas ainda assim só atendiam trabalhadores formais.

Embora o SUS enfrente muitos desafios, é um sistema que garante acesso universal e gratuito à saúde. Poucos países no mundo, como Reino Unido, Canadá e França, oferecem um sistema de saúde público e universal, mas nenhum com a abrangência do SUS, que atende mais de 100 milhões de pessoas. Se o SUS não existisse, 43 milhões de desempregados e trabalhadores informais não teriam acesso a um sistema de saúde público e estariam completamente desassistidos.

Por isso, é fundamental valorizar o SUS e garantir que ele continue existindo para todos.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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