A Baixada Fluminense tem hoje cerca de 4 milhões de habitantes espalhados por 13 municípios. É a maior periferia do Estado do Rio de Janeiro e uma das maiores do Brasil. Mas esse número imenso de pessoas não chegou ali por acaso. E muito menos por vontade própria.
Ao longo de mais de um século, o Estado brasileiro, seja em suas versões imperial, republicana, varguista e ditatorial, foi empurrando os mais pobres cada vez mais para longe do centro. Expulsou-os dos cortiços com reformas “modernizadoras”. Isso porque demoliu favelas e mandou os moradores para conjuntos habitacionais sem infraestrutura. Vendeu lotes baratos e sem saneamento para quem não tinha outra saída.
O resultado foi a Baixada Fluminense: uma região construída sobre a exclusão, erguida pela força de migrantes do Nordeste, de ex-escravizados e de famílias despejadas à força das zonas nobres do Rio. Uma região que recebeu gente, mas nunca recebeu investimento na mesma proporção.
Neste artigo, você vai entender como esse processo aconteceu. Desde os engenhos coloniais até a crise dos anos 1980 e 90.
📅 Linha do tempo: A formação da Baixada Fluminense
| Período | O que aconteceu |
| Séc. XVI–XVII | Portugueses instalam engenhos de açúcar no Recôncavo da Guanabara usando os rios como estradas |
| Séc. XVIII | A Baixada vira rota do ouro de Minas Gerais em direção ao porto do Rio de Janeiro |
| 1858 | Estrada de Ferro Dom Pedro II inaugurada — surge a “certidão de nascimento” dos subúrbios |
| 1886 | Leopoldina Railway corta a região de Merity (futura Duque de Caxias); nascem vilas ao redor das estações |
| 1903 | Reforma Pereira Passos expulsa os pobres do centro do Rio — cortiços destruídos; início do empurrão para a periferia |
| 1904 | Revolta da Vacina — parte da população removida do centro resiste e é reprimida |
| 1930–40 | Nova Iguaçu vira “Cidade Perfume” — laranjais atraem migrantes; depois a crise transforma fazendas em loteamentos |
| 1943 | Duque de Caxias se emancipa de Nova Iguaçu — começa a fragmentação do território |
| 1947 | Nilópolis e São João de Meriti se emancipam — a Baixada vai ganhando municípios próprios |
| 1952 | Inauguração da Rodovia Presidente Dutra — acelera industrialização e migração para a Baixada |
| 1960–71 | Governadores Lacerda e Negrão de Lima removem mais de 112 mil pessoas de favelas cariocas para a periferia |
| Anos 1970 | Ditadura Militar impulsiona COHAB e BNH — conjuntos habitacionais precários na Baixada |
| Anos 1980 | Crise econômica, desemprego e grupos de extermínio consolidam a violência — a imprensa chama a Baixada de “selva” |
| Anos 1990 | Nova Iguaçu fragmenta-se em novos municípios: Belford Roxo, Queimados, Japeri (1990–91) |
Antes da periferia: a Baixada colonial e o ouro de Minas
Antes de ser periferia, a Baixada Fluminense foi rota estratégica do Império colonial. A região que hoje chamamos de Baixada foi ocupada pelos portugueses a partir do século XVI, logo após a expulsão dos franceses da Baía de Guanabara. A Coroa distribuiu sesmarias (grandes lotes de terra) para colonos que deveriam ocupar e produzir. E a presença dos rios tornou isso possível.
Os rios Meriti, Sarapuí, Iguaçu, Inhomirim e Magé funcionavam como estradas. Por eles chegavam mercadorias, escravizados e colonos. E por eles saíam açúcar, madeira e, mais tarde, ouro.
No século XVIII, a Baixada tornou-se passagem obrigatória do ouro que descia de Minas Gerais rumo ao porto do Rio de Janeiro. As tropas de mulas desciam pelas serras, cruzavam a planície alagadiça e seguiam em direção à capital. A região era movimentada, estratégica e lucrativa para quem controlava os portos fluviais e os caminhos.
Mas essa prosperidade era frágil. Ela dependia do tráfego e não da produção local. E quando o tráfego mudou de rota, a Baixada entrou em decadência.
A chegada do trem e a primeira grande transformação
Em 1858, o primeiro trecho da Estrada de Ferro Dom Pedro II foi inaugurado. Era o embrião do que viria a ser a Central do Brasil e, segundo os historiadores, a certidão de nascimento dos subúrbios cariocas.
A ferrovia criou uma nova lógica de ocupação. Isso porque as pessoas passaram a se instalar ao redor das estações. Vilas e povoados surgiram ao longo dos trilhos. Em 1886, a Leopoldina Railway Company cortou a área de Merity, o que hoje é Duque de Caxias, multiplicando os pontos de fixação populacional na região.
Ao mesmo tempo, a ferrovia foi o fim dos rios como estrada. Os portos fluviais perderam movimento. As áreas que não estavam no caminho do trem entraram em decadência. E o perfil da Baixada começou a mudar: de região de passagem para zona de moradia, ainda que uma versão precária e sem planejamento.
| 🔗 Leia também: Escravidão no Brasil: história, abolição e discriminação racial Boa parte dos primeiros moradores da Baixada eram ex-escravizados e seus descendentes que, após a abolição de 1888, precisaram encontrar um lugar para viver e trabalhar com acesso mínimo à cidade do Rio de Janeiro. |
A reforma Pereira Passos e o primeiro grande empurrão (1903–1906)
Para entender por que a Baixada cresceu tanto no século XX, é preciso entender o que o Rio de Janeiro não queria dentro de seus limites.
Em 1903, o prefeito Francisco Pereira Passos iniciou a maior reforma urbana da história da cidade até aquele momento. Sendo assim, o objetivo era “modernizar” o Rio e transformar a capital colonial numa metrópole europeia, com avenidas largas, prédios elegantes e espaços higienizados.
Na entanto, na prática, isso significou a destruição de milhares de cortiços no centro da cidade. Os cortiços eram habitações coletivas onde viviam operários, lavadeiras, ex-escravizados e imigrantes portugueses. Toda a população pobre que havia se concentrado na região central ao longo do século XIX.
Apenas a abertura da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, derrubou cerca de 600 imóveis e desabrigou mais de 20 mil pessoas. Mas a reforma de Pereira Passos foi muito além: entre 1903 e 1906, milhares de habitações populares foram demolidas, e seus moradores ficaram sem para onde ir.
O Estado não ofereceu alternativa. As pessoas foram empurradas para os morros, que começavam a virar favelas, ou para os subúrbios ao longo dos trilhos do trem. A Baixada Fluminense, com sua terra barata e seus lotes vagos, absorveu boa parte desse fluxo.
| ⚖️ O que a história oficial chama de “modernização”: As reformas de Pereira Passos são celebradas nos livros didáticos como o momento em que o Rio se tornou uma cidade moderna. Mas, para quem morava nos cortiços demolidos, foi simplesmente um despejo em massa. A “bota abaixo”, como ficou conhecida, foi uma das primeiras grandes políticas de periferização forçada da história do Brasil urbano. |
Quem veio para a Baixada e por quê
A Baixada não atraiu pessoas. Ela as recebeu porque não havia outro lugar. Ao longo do século XX, vários fluxos populacionais convergiram para a região, cada um empurrado por uma força diferente:
Os ex-escravizados e seus descendentes
Com a abolição da escravidão em 1888, cerca de 700 mil pessoas foram “libertas” sem terra, sem dinheiro e sem política de integração. Isso porque muitos saíram do interior do estado em busca de trabalho nas cidades. A Baixada, com suas fazendas em crise e sua proximidade com o Rio, foi um dos destinos naturais.
Como explicamos em nosso texto sobre o tráfico interno e o fim da escravidão, a abolição de 1888 chegou sem nenhuma política de reparação e essas famílias precisaram reconstruir tudo do zero, muitas vezes nas regiões mais precárias.
Os migrantes nordestinos
As grandes secas do Nordeste, especialmente a de 1877 e as que se repetiram nas décadas seguintes, expulsaram milhões de pessoas do semiárido. Muitas vieram para o Rio de Janeiro em busca de trabalho. Chegavam pela Central do Brasil, desciam na estação e iam até onde o dinheiro ou o bilhete permitia. Muitos paravam na própria estação, em Madureira, em Queimados ou em Nova Iguaçu.
Nas décadas de 1940 e 1950, a migração nordestina se intensificou com a industrialização. A Baixada oferecia o que a Zona Sul não tinha: lotes baratos. Mesmo sem água encanada, sem esgoto e sem transporte decente, era possível comprar um pedaço de chão e construir uma casa aos poucos.
Os imigrantes europeus e do Oriente Médio
Entre fins do século XIX e início do XX, a Baixada também recebeu imigrantes italianos, alemães, poloneses e libaneses que fugiam das guerras mundiais e da pobreza europeia. Muitos se estabeleceram como comerciantes, pequenos industriais ou agricultores. Eles trouxeram outro perfil, mas igualmente chegaram porque a terra era acessível e as oportunidades no centro do Rio, inacessíveis.
| 📚 Dado histórico:Antes da explosão demográfica do século XX, Nova Iguaçu — que então englobava praticamente toda a Baixada — tinha apenas 20 mil habitantes. Hoje, só a cidade de Nova Iguaçu tem 800 mil. A Baixada como um todo chega a 4 milhões. Esse crescimento de 200 vezes em menos de um século é um dos processos de expansão urbana mais rápidos da história do Brasil. |
A “Cidade Perfume” e o fim das laranjas: quando a fazenda virou loteamento
Entre os anos 1930 e 1940, Nova Iguaçu viveu um momento peculiar e relativamente próspero. O presidente Nilo Peçanha havia investido na região como polo agrícola, e a produção de frutas cítricas, especialmente a laranja, floresceu.
Os pomares se estendiam por toda a região. Sendo assim, Nova Iguaçu ficou conhecida como a “Cidade Perfume” — por causa do cheiro das flores de laranjeira que tomava conta da cidade. A produção era exportada, especialmente para a Europa.
Mas a Segunda Guerra Mundial acabou com isso. Com os mercados europeus fechados e as exportações paralisadas, os laranjais entraram em crise. Os grandes proprietários de terra, sem conseguir vender a fruta, encontraram outra saída: lotear as fazendas.
Foi assim que nasceu o modelo que definiria a Baixada por décadas. Os antigos pomares foram divididos em lotes pequenos e vendidos a preços baixos, mas, na maior parte dos casos, sem nenhuma infraestrutura. Sem rua pavimentada, sem água encanada, sem esgoto, sem luz elétrica.
Ou seja: o modelo era vender o problema para quem não tinha escolha.
Entre 1929 e 1969, o número de loteamentos na Baixada cresceu de forma vertiginosa. Em 1950, havia mais de 108 mil lotes vagos só na região de Nova Iguaçu e seus antigos distritos.
| 🔗 Leia também:Bancos que lucraram com a escravidão — e ainda existem A lógica de vender terra barata sem infraestrutura para os mais pobres não é exclusividade da Baixada. É um padrão que atravessa a história econômica brasileira — e que sempre beneficiou proprietários e especuladores às custas das famílias trabalhadoras. |
O segundo grande empurrão: as remoções de favelas dos anos 1960 e 70
Se a reforma Pereira Passos foi o primeiro grande empurrão, as remoções de favelas das décadas de 1960 e 1970 foram o segundo e o mais brutal.
Quando o governador Carlos Lacerda assumiu o estado da Guanabara em 1960, as favelas cariocas estavam em plena expansão. Isso porque Lacerda tinha uma visão clara do que fazer com elas: remover. Portanto, não urbanizar e nem investir.
Entre 1962 e 1965, sua gestão removeu 41.958 moradores de 27 áreas. O sucessor de Lacerda, Negrão de Lima, foi ainda mais longe: entre 1966 e 1971, removeu 70.595 pessoas. Juntos, os dois governadores deslocaram mais de 112 mil pessoas em uma década.
Para onde iam essas pessoas? Para conjuntos habitacionais construídos nas periferias mais distantes. Lugares como a Vila Kennedy, a Vila Aliança e a Vila Esperança foram erguidos, mas muitas vezes a Baixada Fluminense também foi o destino.
A lógica era transparente: as favelas ocupavam terrenos valorizados na Zona Sul, no centro, próximas ao mar. Isso porque as elites queriam aquelas terras. E o Estado entregava, expulsando os moradores para a periferia com a promessa de uma casa “de verdade” que na prática significava um apartamento pequeno, num lugar sem infraestrutura e a horas de distância do trabalho.
| ⚖️ O que a história não conta sobre as remoções:A remoção das favelas da Zona Sul não foi proporcional ao número de favelas existentes. A Zona Norte tinha 67,9% das favelas do Rio — mas de lá foram removidas apenas 25,1% das pessoas. A conclusão é clara: as remoções não eram sobre “resolver o problema da habitação”. Eram sobre liberar terra valorizada para o mercado imobiliário. |
O trem lotado e a vida pendular: trabalhar no Rio, morar na Baixada
A Baixada crescia, mas o trabalho continuava no Rio. E isso criou um dos fenômenos mais marcantes da vida da região: a migração pendular.
Todos os dias, centenas de milhares de trabalhadores embarcavam nos trens superlotados da Central do Brasil e da Leopoldina antes do amanhecer para chegar ao trabalho no Rio. Em seguida, voltavam à noite, exaustos, em vagões que muitas vezes tinham janelas quebradas, sem ventilação, com horários imprevisíveis.
A infraestrutura de transporte nunca acompanhou o crescimento populacional. Em 1950 já havia mais de 100 mil lotes vagos na região. Mas os trilhos continuavam os mesmos, sucateados, superlotados, sem investimento.
| 📚 São João de Meriti: o “Formigueiro das Américas”:São João de Meriti chegou a ser chamado de “Formigueiro das Américas” por ter uma das maiores densidades demográficas do continente americano. Com menos de 35 km², o município chegou a concentrar centenas de milhares de habitantes em condições de moradia extremamente precárias. Era o resultado direto de décadas de loteamentos sem planejamento e migração sem política pública. |
A fragmentação do território: como a Baixada virou vários municípios
Uma das marcas mais visíveis da história da Baixada é a fragmentação municipal. Toda a região era, originalmente, parte do vasto município de Nova Iguaçu.
Com o crescimento populacional acelerado, os distritos mais populosos foram se emancipando. Esse processo aconteceu em duas ondas principais:
| Município | Emancipado de | Ano |
| Duque de Caxias | Nova Iguaçu | 1943 |
| Nilópolis | Nova Iguaçu | 1947 |
| São João de Meriti | Nova Iguaçu | 1947 |
| Belford Roxo | Nova Iguaçu | 1990 |
| Queimados | Nova Iguaçu | 1990 |
| Japeri | Nova Iguaçu | 1991 |
| Mesquita | Nova Iguaçu | 1999 |
| Seropédica | Itaguaí | 1995 |
| Paracambi | Japeri / Itaguaí | 1960 |
Essa fragmentação não foi apenas administrativa. Ela refletia, portanto, a dificuldade de governar territórios imensamente populosos com estruturas municipais frágeis e sem recursos. Cada novo município nasceu com um déficit enorme de infraestrutura, serviços e receita fiscal.
Além disso, as emancipações geraram disputas políticas locais que, muitas vezes, beneficiaram lideranças clientelistas — políticos que usavam a precariedade como moeda de troca para fidelizar eleitores com a promessa de água, asfalto e luz que o Estado deveria ter garantido desde o início.
Anos 1980 e 90: crise, violência e o abandono que ficou famoso
Se as décadas anteriores foram marcadas pelo crescimento desordenado, os anos 1980 foram marcados pelo colapso.
Isso porque a crise econômica da “década perdida” atingiu a Baixada com força desproporcional. O desemprego cresceu. A renda caiu. E a ausência do Estado — que já era estrutural — tornou-se ainda mais evidente. Como apontou o pesquisador Ribeiro, a década de 80 foi marcada pelo empobrecimento e aumento da desigualdade na metrópole fluminense, onde o impacto da crise foi particularmente dramático.
Foi nesse contexto que os grupos de extermínio — conhecidos como “esquadrões da morte” — consolidaram sua atuação na região. Desde os anos 1960, havia relatos de policiais que agiam fora da lei para “limpar” a região de suspeitos. Na década de 1980, o Jornal do Brasil chegou a atribuir ao esquadrão da morte mais de 2 mil mortes na região.
A imprensa passou a cobrir a Baixada quase exclusivamente pelo viés da violência. Sendo assim, matérias diárias de jornais registravam mortes em série. Durante uma Semana Santa nos anos 1980, 71 pessoas morreram na região em poucos dias — vítimas de violência, acidentes e falta de assistência médica.
Esse retrato gerou uma imagem que a Baixada carrega até hoje: a de um lugar perigoso, abandonado, sem lei. Mas essa imagem omite uma parte fundamental da história: a Baixada não nasceu violenta. Ela foi construída sem infraestrutura, recebeu gente sem oferecer oportunidades e foi governada por décadas por uma mistura de clientelismo e repressão.
| 🔗 Leia também:Intolerância religiosa e o racismo andam juntos — sobre as raízes estruturais das desigualdades A maioria das vítimas da violência na Baixada Fluminense é negra. Isso não é coincidência — é consequência direta de um processo histórico que empurrou as famílias negras para as regiões mais periféricas e com menos acesso ao Estado. |
O que a Baixada construiu apesar de tudo
A história da Baixada não é só de exclusão. É também de resistência, cultura e construção coletiva.
Foi na Baixada que o funk carioca nasceu e se desenvolveu, antes de ser aceito (e comercializado) pelo mercado cultural. Na região que surgiram associações de moradores que organizaram mutirões para construir ruas, escola e postos de saúde quando o poder público não aparecia.
A Baixada produziu atletas, artistas, escritores e políticos. Produziu uma população trabalhadora que, sem escolher estar ali, construiu uma identidade própria — com orgulho e com consciência da própria história.
E produziu também uma memória coletiva de luta. As associações de mães e familiares de vítimas de violência, os movimentos de direitos humanos, as ONGs que há décadas documentam e denunciam o abandono da região — tudo isso é Baixada Fluminense.
A Baixada que o Rio construiu — e depois esqueceu
A Baixada Fluminense não é um acidente geográfico. É o resultado, portanto, de escolhas políticas e econômicas feitas ao longo de mais de um século.
O Estado demoliu os cortiços do centro e mandou as pessoas para a periferia. Que financiou loteamentos sem saneamento, por exemplo. O Estado construiu conjuntos habitacionais longe do emprego e removeu favelas da Zona Sul para liberar terra para o mercado imobiliário. E o Estado, sistematicamente, deixou de investir na Baixada na mesma proporção em que investia nas regiões mais nobres do Rio.
Quem pagou a conta foi a população. Nordestinos que chegaram com uma mala e construíram uma casa tijolo a tijolo. Ex-escravizados e seus descendentes que foram empurrados para terras que ninguém mais queria. Famílias removidas à força de comunidades onde tinham construído suas vidas.
Essas pessoas não foram para a Baixada porque queriam. Foram porque não havia outro lugar. Entender a história da Baixada é, portanto, entender que a desigualdade urbana não é natural. É construída.
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📚 Leia também no Outro Lado da História:
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O tráfico interno: como o Sul e Sudeste “compraram” o Nordeste após 1850
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Revolta da Balaiada — resistência popular no Brasil imperial
🔎 Fontes e referências externas:
Amigos do Instituto Histórico de Duque de Caxias — A Baixada Fluminense e as estradas de ferro
Revista Brasileira de Estudos de População — Baixada Fluminense como vazio demográfico? (REBEP)
PUC-Rio — Baixada Fluminense: em busca de seus contornos e significado
GeoPUC — O adensamento populacional da Baixada Fluminense (1929–1969)
MultiRio — Rio de Janeiro: entre remoções e conjuntos habitacionais
Medium/Prefeitura do Rio — A política de remoção de favelas no passado
Agência Pública — A Baixada Fluminense é invisível
Wikifavelas — Violência de Estado na Baixada Fluminense
Brasil de Fato — Chacina da Baixada, 20 anos
Revista História, Ciências, Saúde (Fiocruz) — Subúrbios: 150 anos de história carioca
