A História das ferrovias no Brasil

A história das ferrovias no Brasil começa em 1852. Na ocasião, o comerciante, industrial e banqueiro Irineu Evangelista de Souza, que depois viria a ser conhecido como o Barão de Mauá, firmou um acordo com o governo federal para a construção da primeira ferrovia no Brasil. Ela sairia da Baía de Guanabara, iria até a raiz da Serra de Petrópolis e seguiria até o Vale do Rio Paraíba, na província de Minas Gerais.

Para a construção, foi criada a empresa Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis. No acordo, o governo cedeu a concessão do trecho para a empresa por 90 anos, além de terrenos públicos para a construção, permitiu a desapropriação de outros terrenos e isentou a obra de impostos.

A construção foi finalizada em abril de 1854, concluindo o primeiro trecho ferroviário, que saía da Baía de Guanabara, mais precisamente do Porto de Mauá, indo até a região de Fragoso, num total de 14,5 km de extensão. A empresa tinha três locomotivas que faziam o percurso a uma velocidade de 35 km/h.

Novas ferrovias

A partir dessa construção, o estado passou a ver a importância de criar estradas de ferro, principalmente para atender aos interesses da elite cafeeira, que via as ferrovias como importantes para facilitar a exportação e atrair recursos estrangeiros.

No entanto, o governo ainda não conseguia atrair investidores privados para as construções e teve de investir diretamente para que elas saíssem do papel. Assim surgiu a Estrada de Ferro Dom Pedro II, que depois passou a ser conhecida como Central do Brasil, ligando o Rio de Janeiro à região de Queimados, hoje num total de 58 km.

Na década seguinte, foi concluída a Estrada de Ferro São Paulo, que se conectaria com a Estrada Dom Pedro II, ligando São Paulo e Rio de Janeiro. Até o fim da monarquia, quase 10 mil quilômetros de ferrovias foram construídos no Brasil. As construções continuaram na República, mas devido à crise do Encilhamento, o país teve uma pausa entre 1890 e 1900, retomando investimentos apenas em 1901.

Entre 1901 e 1920, foram construídos mais 19 mil km de ferrovias, totalizando 29 mil km no país. Estradas importantes foram criadas, como a Paranaguá-Curitiba, o Recôncavo Baiano à Chapada Diamantina, e a Madeira-Mamoré, na Amazônia.

Em 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, iniciou-se um plano de reforma do sistema de transportes. Foram feitos investimentos, mas o foco era aprimorar o que já existia, e não investir em novas ferrovias. Assim, após 15 anos de governo, foram construídos menos de mil km de ferrovias, comparados aos 19 mil km das duas décadas anteriores.

JK e as rodovias

A história das ferrovias muda no governo Vargas e continuou sob Juscelino Kubitschek. Embora o governo JK tenha investido no setor, seu foco foi a construção de rodovias, criando mais de 14 mil km de estradas e apenas 800 km de ferrovias. Esse foco rodoviário seguiu nos governos seguintes, especialmente durante a ditadura militar, que abandonou de fato as ferrovias.

Quando os militares assumiram o poder, o Brasil tinha 34 mil km de ferrovias. Dois anos depois, o país já havia perdido 2 mil km. Até o final do regime, esse número caiu para menos de 30 mil km. Os militares priorizaram a construção de rodovias e excluíram várias linhas de transporte de passageiros. Esse plano de erradicação de trechos deficitários apontava linhas consideradas prejudiciais economicamente, que eram simplesmente fechadas.

Fim das linhas

Linhas importantes ligavam o Rio de Janeiro a estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A exclusão de mais de 10 mil km de linhas de passageiros pela ditadura impactou a conectividade do país, tornando o transporte rodoviário predominante.

Nos anos seguintes, especialmente nos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, decidiu-se pela privatização do setor ferroviário. Apesar de algumas linhas terem sido modernizadas, muitas ferrovias foram abandonadas. Segundo dados da ANTT, um terço das nossas ferrovias está atualmente abandonado.

O Brasil tornou-se totalmente dependente das rodovias, tanto para o transporte de passageiros quanto de cargas. Apenas 15% do transporte de cargas é feito por ferrovias, enquanto 65% ocorre pelas rodovias, gerando uma grande dependência dos caminhões. Isso ficou evidente na greve dos caminhoneiros em 2018.

O transporte ferroviário é seis vezes mais barato que o rodoviário, além de ser mais seguro e menos poluente. Mesmo assim, o Brasil tem apenas 1.600 km de ferrovias para transporte de passageiros, enquanto Portugal, um país 90 vezes menor, possui 2.179 km, e os EUA têm 32 mil km.

A falta de opções de transporte ferroviário no Brasil impacta o trânsito, o tempo de deslocamento e o número de conduções necessárias para chegar ao trabalho. O que exige uma mudança na história das ferrovias.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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