Ditadura – como foi para os pobres

É muito comum ouvir que “meu pai ou meu avô viveu na ditadura e não foi preso e nem torturado”. Isso é óbvio. A grande maioria da população de fato não foi presa e nem torturada na Ditadura. Principalmente por não dar a mesma importância a política. O que não significa que ela não foi prejudicada pelo Regime. 

Por isso, saiba como foi a ditadura para o povão, para as pessoas que não tinha o envolvimento com a política.

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Arrocho salarial

O primeiro dado a considerar é o salário. O começo da ditadura ficou marcado pelo chamado “milagre econômico”, quando o PIB chegou a crescer mais de 10% ao ano. No entanto, esse crescimento não só não foi distribuído, como também foi às custos do trabalhador. 

Isso porque uma das medidas dos militares foi mudar a fórmula do reajuste do salário. Com a mudança, os trabalhadores não tinham mais o reajuste com a inflação. 

Com o arrocho salarial, o povo teve uma perda de 50% no poder de compra entre 1964 e 1985. E isso só foi possível com o aparato repressivo do regime sobre os sindicatos, fazendo isso com pressões e troca de dirigentes. 

Esse arrocho diminuiu os custos dos empresários, que lucraram neste período, aumentando a desigualdade. Como demonstração, os 10% mais ricos saltaram de 39,5% da renda para 50,9% no final da Ditadura. Já os 50% mais pobres, tinham 14,9% da renda e cairam para 12,6%. 

Ou seja, no ritmo da música Xibom Bombom, o rico ficou cada vez mais rico e o pobre cada vez ficou mais pobre. 

Cortes no social

Mas não foi só isso, o Governo militar cortou em áreas de grande impacto para a população mais pobre.  O investimento em Educação caiu de 12% do PIB no planejamento do Governo de João Goulart para 4,31% em 1975. Já o orçamento da Saúde caiu de 4,29% para 0,99% do orçamento. Em uma época que não existia SUS.

Com isso, em 1979 morreram 52 crianças por hora no Brasil. A desnutrição foi a responsável por 52,4% dos óbitos de crianças de até cinco anos. E em 1981, 70% da população não comia o necessário, registrando 71 milhões de subnutridos no Brasil. 

Os militares também deixaram uma conta de endividamento. Em 1964, a dívida era de 15,7% do PIB e no final era de 54% do PIB. Um motivo que contribuiu para o descontrole da inflação, que chegou a 223% ao ano no último ano do regime militar. 

Mas diante de tudo isso porque então seu pai ou seu avó não se rebelou contra a Ditadura? Simples, porque a participação política ainda não alcançava todas as pessoas antes da instalação do regime.

A eleição de 1960, ou seja, a última antes da Ditadura, teve apenas 11 milhões de votos. Foi a com maior participação popular e ainda assim, representava apenas 20% da população adulta do Brasil. 

E porque isso ocorria? Porque a legislação determinava que analfabetos não podiam votar. Isso já eliminava 39% do povo. Outra restrição era que mulheres sem uma profissão lucrativa também estavam dispensadas do voto. O que também fazia com que poucas tivessem interesse em se inscrever para votar. O mesmo também ocorria com pessoas de cidades menores. 

Portanto, a restrição do voto com a Ditadura teve um impacto muito maior em uma classe média, uma classe artística ou mais escolarizada, que é a que costuma ser retratada em filmes e documentários sobre o Regime. 

Para a população geral não havia uma grande confiança na Democracia devido as restrições. 

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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