Resumo da Revolução Farroupilha

Também conhecida como Guerra dos Farrapos, a Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta do Brasil, tendo durado 10 anos, de 1835 a 1845. Ocorreu durante o período regencial, quando Dom Pedro II ainda não tinha idade suficiente para assumir o Império. Foi liderada pela elite do Rio Grande do Sul, formada principalmente por estancieiros, contando com o apoio das camadas mais pobres.

Origem de “farrapos”

O termo ‘farrapos’ era, na verdade, uma denominação anterior à revolução, usada para ridicularizar grupos liberais de ideais mais exaltados. O principal motivo para a revolta foi a política fiscal do Império. A partir de 1821, o governo central começou a cobrar taxas altas sobre produtos gaúchos, especialmente o charque, enquanto o charque uruguaio e argentino tinha uma taxa menor, tornando o produto gaúcho menos competitivo.

Havia também outras razões, como a insatisfação com o governo por se recusar a assumir os prejuízos causados por uma praga de carrapatos que atacou a região, além da centralização do poder e da falta de autonomia da província. Entre os líderes estavam Bento Gonçalves, José Garibaldi e David Canabarro. Inicialmente, o objetivo do movimento era que o governo aumentasse os impostos para o charque estrangeiro e desse mais autonomia à província, mas depois o caráter da revolta tornou-se separatista.

A Revolução

Em 20 de setembro de 1835, os revoltosos tomaram Porto Alegre e, neste dia, declararam a criação da República Rio-Grandense, também conhecida como República de Piratini. Os imperiais retomaram Porto Alegre em julho de 1836, e a cidade foi alvo de disputa por quatro anos, assim como muitos outros pontos do sul.

Os farrapos levaram a guerra para a província de Santa Catarina, fundando a República Juliana em julho de 1839. No entanto, esta durou pouco, pois em novembro as tropas imperiais recuperaram o território. Para pôr fim à revolta, o governo brasileiro enviou o então militar Luís Alves de Lima e Silva, que viria a ser conhecido como Duque de Caxias. Ele conseguiu derrotar os farrapos em pontos estratégicos, forçando-os a negociar a rendição.

A revolução foi encerrada com o Tratado de Paz de Poncho Verde, assinado pelos estancieiros gaúchos. Entre os termos estavam: uma nova taxa para o charque estrangeiro, anistia para os envolvidos na revolta e a incorporação dos militares farrapos ao exército imperial. O acordo previa também a alforria dos escravos que lutaram pelos farrapos, mas essa cláusula não foi cumprida.

Apesar de longa, a Revolução Farroupilha foi marcada por baixa intensidade de combates, resultando em cerca de 3 mil mortes em 10 anos. Comparado, por exemplo, à Cabanagem, que durou metade do tempo e teve aproximadamente 30 mil mortos. Um ponto importante é que nem toda a população do Rio Grande do Sul apoiou a revolta, sendo que essa visão identitária regional foi construída posteriormente.

A Revolta do Juazeiro

Desfecho da Revolução

Apesar da declaração de independência, nenhum país reconheceu oficialmente a República Rio-Grandense. O Uruguai esteve próximo, mas o processo não foi concluído. Ao longo dos 10 anos da República, ela teve cinco capitais: Piratini, Caçapava do Sul, Alegrete, São Gabriel e São Borja. Embora o movimento tivesse alguns ideais liberais, ele não era abolicionista.

O fim da escravidão não era unanimidade entre os farrapos, e a abolição completa não estava em pauta, apenas a liberdade para aqueles que participaram das batalhas.

Para piorar, já no final da guerra, quando o tratado de paz estava sendo discutido. Os ‘Lanceiros Negros’, que eram basicamente escravos que lutaram ao lado dos farrapos, foram desarmados por ordem do general David Canabarro e massacrados pelas tropas imperiais. O que gerou rumores de um possível acordo entre os farrapos e os imperiais para evitar a abolição dos escravos.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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