“Mulambo”: O racismo contra torcedores do Flamengo

O termo “mulambo” é popular. Você certamente já deve ter escutado por aí, principalmente se você for torcedor de algum clube carioca. Seja porque escutou falarem do seu time assim ou porque é a sua própria torcida que canta esse termo nos estádios.

Talvez quem cante nem saiba a origem e nem o real objetivo por trás. Até porque as palavras, por si só, não carregam preconceito, mas sim o contexto em que são usadas.

O pano que virou ofensa

E é aí que entra o contexto histórico. A palavra “molambo”, com “O”, era o nome dado a um pano que algumas tribos africanas amarravam à cintura. Essa forma de se vestir e o próprio termo chegaram ao Brasil junto com os negros escravizados.

Com o tempo, os senhores de engenho passaram a usar esse nome como uma forma de depreciar e insultar os africanos escravizados. Ou seja, era uma maneira de criticar uma marca cultural dos povos africanos, associando-a a algo inferior.

A evolução da ofensa no pós-abolição

Com o fim da escravidão no Brasil, o uso de termos racistas se intensificou em diversas formas de linguagem cotidiana. O termo passou a ser usado como “mulambo“, com “U”, para insultar pessoas negras, especialmente aquelas consideradas mal vestidas ou em situação de pobreza.

Hoje, ainda que muitos o usem sem saber, o termo continua carregando heranças de uma linguagem racista e classista, reforçando estereótipos contra a população negra e periférica.

Relação com o Flamengo e o mascote Urubu

A origem do mascote do Flamengo, o Urubu, também está ligada ao racismo sofrido pela torcida. Assim como o termo mulambo, o apelido “urubu” começou como uma ofensa feita por rivais, em referência à maioria negra e popular da torcida rubro-negra.

A torcida, no entanto, ressignificou o termo, transformando-o em símbolo de orgulho e resistência. O mesmo ocorre, em certa medida, com o termo “mulambo”, que também foi reapropriado por parte da torcida como uma marca de identidade e pertencimento.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

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Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

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Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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