A história do Samba: Origem, resistência e transformações

O samba é um dos ritmos musicais que mais representa a identidade brasileira. Ele tem raízes na Bahia, com uma forte influência dos estilos africanos, e ganhou vida no Rio de Janeiro, no início do século 20, junto a uma comunidade de negros e mestiços do Nordeste. Mesmo sendo perseguido, o samba se desenvolveu e passou a misturar camadas sociais e influenciar outros estilos musicais.

Com a abolição da escravatura, muitos trabalhadores da Bahia foram transferidos para o Rio, especificamente para o Vale do Paraíba. No entanto, após a abolição, essa população se instalou na região central do Rio, perto do cais do porto. Local em que começaram a organizar festas com ritmos e danças de suas origens africanas. O samba se tornou uma expressão de continuidade cultural para essa comunidade, promovendo uma identidade coletiva.

Samba perseguido

Até a década de 1920, o samba tinha que ser tocado de forma escondida, pois manifestações culturais negras eram vistas como inferiores. Existiam leis que permitiam a prisão de ‘vagabundos’, ‘vadios’ e ‘capoeiras’, e a polícia tinha ampla discricionariedade para prender quem considerasse uma ameaça. Neste cenário, as mulheres e as religiões de matriz africana foram essenciais para a resistência do samba. Com os terrenos das ‘tias baianas’ se tornando refúgios onde o ritmo podia sobreviver.

É nas casas dessas tias, como a de Tia Ciata, que o samba ganha força e sobrevive à repressão. Foi na casa dela, em 1917, que surgiu ‘Pelo Telefone‘, o primeiro samba gravado. Mas, mesmo com essa popularidade inicial, o samba era visto como um gênero primitivo e marginalizado, associado a ambientes boêmios e malandros.

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Origem no asfalto

Contrariando a crença popular, o samba nasceu no centro do Rio de Janeiro e se deslocou para os morros acompanhando a migração da população mais pobre, frequentemente expulsa do centro da cidade. Na década de 1930, o samba de partido-alto, que lidava com temas cotidianos de maneira bem-humorada, se popularizou. Assim como o samba-enredo, que trazia uma estrutura rítmica adequada para os desfiles.

Getúlio Vargas viu no samba uma oportunidade para se aproximar do povo e utilizou os desfiles de escolas de samba como uma forma de controle social. Durante esse período, a figura do ‘malandro’ tornou-se simbólica. O malandro original do samba era aquele que se adaptava às dificuldades da vida, vivendo à margem do trabalho formal em um país que ainda explorava seus ex-escravos.

Nos anos 1940, o samba passou por um processo de ‘embranquecimento’ com a entrada de artistas da classe média, e sua crítica social foi atenuada para atender a um público branco e jovem. No entanto, nomes como Cartola e Paulinho da Viola trouxeram de volta a autenticidade do samba. A partir dos anos 1960, o samba deu origem a outros ritmos como a bossa nova e o pagode, que até hoje influenciam a música brasileira.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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