Brizola

Quem foi Brizola?

Você sabe quem foi Leonel Brizola? Ele foi simplesmente o único político eleito para governar dois estados diferentes no Brasil. Só por isso, já vale a pena conhecer sua trajetória.

Ele nasceu em 22 de janeiro de 1922, em Passo Fundo (RS). Entrou para a política em 1945, no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e foi eleito deputado estadual dois anos depois. Foi também deputado federal e prefeito de Porto Alegre.

Isso o credenciou para concorrer e ganhar como Governador do Rio Grande do Sul, em 1958. No comando, decidiu tomar posse de algumas empresas estrangeiras, como a Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense.

Ficou marcado também por formar acordos com escolas privadas para disponibilizar vagas gratuitas, o que resultou na matrícula de 689 mil crianças e gerou 42 mil vagas para professores. Isso fez com que o Rio Grande do Sul passasse a ter a maior taxa de escolarização do Brasil na época.

Outro marco foi a criação do Instituto Gaúcho de Reforma Agrária, que organizou acampamentos do Movimento dos Agricultores Sem Terra e concedeu propriedades de terras.

A Campanha da Legalidade

Porém, Brizola ficaria marcado principalmente pela Campanha da Legalidade em 1961. Na ocasião, Jânio Quadros havia renunciado e os ministros militares não queriam permitir a posse de João Goulart.

Brizola então mobilizou a população gaúcha para defender Jango e, junto à Brigada Militar do Rio Grande do Sul, montou um verdadeiro bunker no Palácio Piratini. De lá, fazia pronunciamentos na rádio em defesa do respeito à Constituição.

A medida deu certo e Jango assumiu a Presidência. Primeiramente, em um sistema de Parlamentarismo e depois no Presidencialismo.

Mandatos e Conquistas no Rio de Janeiro

Terminado o mandato como governador, Brizola se candidatou e foi eleito deputado federal pela Guanabara em 1962. Do novo cargo, fazia forte defesa às reformas de base propostas por Jango, que incluíam reformas agrária, tributária e bancária.

No entanto, veio o golpe de 1964 e, embora tenha proposto a Jango novamente defender a Presidência com armas, foi convencido a desistir para evitar um banho de sangue.

Assim como Jango, Brizola teve que partir para o exílio e só retornou em 1979. Com a permissão para a volta da criação de partidos, ele decidiu pela criação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), pois o TSE concedeu o PTB a Ivete Vargas.

Em 1982, tornou-se o primeiro a ser eleito para um segundo estado, ao se tornar Governador do Rio de Janeiro. Neste período, foi ativo na luta pelas Diretas Já, na luta para que o povo pudesse voltar a escolher o presidente.

No Rio de Janeiro, ainda seria eleito governador novamente em 1991. Desses dois mandatos, ficou conhecido principalmente pela criação dos Centros Integrados de Apoio à Criança, os CIEPs. Foram 508 escolas de tempo integral criadas. Um espaço para a prática de esportes, leitura e aprendizado em geral.

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Um marco dessas unidades é que muitas foram construídas dentro de favelas e comunidades carentes. Era um outro braço político de Brizola, que defendia levar todos os serviços do Estado a essas áreas e não a truculência em operações policiais, como ocorria antes.

Por conta disso, criou-se a lenda posteriormente de que Brizola proibiu operações. No entanto, o que não era permitido era tiros indiscriminados e ações violentas sem planejamento.

Brizola também foi o responsável por grandes obras, como a construção da Linha Vermelha. No entanto, parte dessas obras ocorreu em meio ao bom diálogo que tinha com o presidente Collor.

Isso fez com que Brizola evitasse fazer coro contra o impeachment de Collor e isso o custou um pouco de apoio nas eleições seguintes. Por outro lado, a justificativa de Brizola é que era arriscado para a democracia um processo de impeachment puramente político.

Brizola chegou a tentar a Presidência duas vezes. Em 1989, ficou em terceiro e em 1994 terminou na quinta posição. Já em 1998, foi vice na chapa com Lula, que terminou em segundo. Brizola morreu em junho de 2004.

Legado e Reconhecimento Internacional

Mais recentemente, o nome dele voltou em evidência após a divulgação de documentos secretos dos Estados Unidos. Nos arquivos, Brizola era chamado de “cunhado violentamente antiamericano de Goulart”. Brizola era casado com Neusa Goulart, irmã de Jango.

Ainda segundo os registros, Brizola era monitorado e teria recebido apoio de líderes de Cuba e China em 1961, mas recusou para não transformar a crise política no Brasil em um problema internacional.


Destaques sobre Leonel Brizola

  • Foi o único político eleito para governar dois estados diferentes no Brasil: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
  • Destacou-se pela Campanha da Legalidade, defendendo a Constituição e a posse de João Goulart.
  • Criou os CIEPs no Rio de Janeiro, focando em educação integral e políticas públicas nas favelas.
  • Defendeu as reformas de base durante o governo de Jango e combateu a ditadura militar.
  • Apesar das críticas, sua atuação sempre priorizou a soberania popular e a democracia.

FAQ: Perguntas Frequentes

1. O que foram os CIEPs criados por Leonel Brizola?
Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) foram escolas de tempo integral criadas por Brizola no Rio de Janeiro, com foco em esportes, cultura e reforço escolar, especialmente em comunidades carentes.

2. O que foi a Campanha da Legalidade?
Foi a mobilização de Brizola e da população gaúcha para garantir a posse de João Goulart em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, enfrentando militares que queriam impedir a sucessão.

3. Por que Brizola era chamado de “antiamericano”?
Documentos secretos dos Estados Unidos o apontavam assim devido à sua posição independente e nacionalista, rejeitando a influência externa no Brasil.

Vídeo sobre a trajetória de Brizola

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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