O Fascismo e o Futebol na Itália

É comum ouvir as pessoas falando que não se deve misturar esporte e política, só que os dois assuntos estão amplamente ligados e sempre foram usados ao longo da história.

O uso do esporte para mostrar força e conquistar a massa ficou conhecido principalmente na Alemanha. Através de Joseph Goebbels, ministro nazista de propaganda, que tinha como objetivo promover o país, entre outras coisas, através dos Jogos Olímpicos. Essa postura de utilizar algo popular para atrair simpatizantes foi, e continua sendo, usada principalmente por ditadores.

Mussolini e o futebol

Foi assim também na Itália com Benito Mussolini. Mesmo não sendo um adepto do futebol, ele interveio em busca de popularidade, criando uma imagem positiva e se aproximando de grupos rivais. Na Itália, o futebol começou a se popularizar na década de 1920, e quando Mussolini chegou ao poder, ele enxergou a oportunidade de ganhar prestígio ao sediar a Copa do Mundo.

A Ditadura e o Futebol no Brasil

Mussolini construiu estádios pelo país e até assumiu a organização do campeonato, pois, na época, o futebol italiano enfrentava uma crise. A Federação Italiana de Futebol não conseguia organizar o campeonato nacional, que estava dividido entre ligas do Norte e do Sul, e no final acontecia um confronto entre as duas. Com a crise, a Liga Norte passou o comando para o Comitê Olímpico Italiano, que era controlado pelo regime fascista, com membros escolhidos diretamente por Mussolini.

Nesse cenário, em 1926, o campeonato foi reorganizado com a criação de duas divisões e com novas regras, incluindo o banimento de jogadores estrangeiros. Apenas jogadores de outras nacionalidades que fossem descendentes de italianos podiam ser contratados.

Times de Roma em destaque

Além disso, Mussolini deu importância ao esporte em regiões estratégicas como Roma, Florença e Nápoles, e promoveu fusões de equipes para fortalecer os times. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a criação da Fiorentina e da Roma, que surgiu da união de vários clubes menores.

A Lazio, por outro lado, escapou das fusões porque tinha como dirigente um general fascista que conseguiu argumentar a importância de ter dois clubes em Roma. Como ocorria em outras cidades italianas.

Mussolini também se interessou pela Copa do Mundo. Em 1930, o Uruguai havia sediado a primeira edição, e isso despertou o interesse de Mussolini, que investiu na construção de estádios como o do Bologna em 1928. O ditador negociou com a FIFA para sediar a segunda edição da Copa, mesmo durante a crise econômica de 1929. A escolha da Itália como sede em 1934 foi um desfecho perfeito para a propaganda fascista, pois coincidia com a comemoração de 10 anos do regime.

Construção de estádios

Entre 1932 e 1934, o governo italiano financiou a construção de novos estádios e ampliou o San Siro em Milão para servir de palco à Copa. Mas não bastava apenas sediar o torneio, era preciso ganhar. Assim, os organizadores monitoraram jogadores sul-americanos de ascendência italiana para naturalizá-los e competir pelo time italiano. O técnico Vittorio Pozzo recrutou, por exemplo, o brasileiro Guarisi e Filó, que jogaram por Corinthians e São Paulo.

O Brasil foi um dos países que forneceu jogadores para a seleção italiana, mas foi a Argentina quem mais cedeu nomes, como Raimundo Orsi, Enrique Guaita e De Maria. A Itália venceu a competição em 1934 e novamente em 1938, conquistando o bicampeonato mundial. Em 1938, na vitória sobre o Brasil na semifinal, a imprensa italiana destacou o triunfo da ‘inteligência tática’ contra a ‘força bruta dos negros’. Referindo-se aos jogadores brasileiros, muitos dos quais eram negros.

O fascismo também teve outras consequências no futebol, como a criação de clubes e a fusão de equipes menores. O Pro Vercelli, que era o maior vencedor da Itália até então, praticamente desapareceu na década de 1930, pois Mussolini priorizou o fortalecimento de grandes equipes nas principais cidades. O regime até promoveu a transferência de jogadores de destaque diretamente para a Lazio, que era ligada ao fascismo.

Até hoje, torcedores da Lazio são associados ao regime fascista, com cânticos, bandeiras e gestos que remetem a esse período.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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