Mestre Sacaca é reconhecido como uma figura central da cultura popular amazônica e dos saberes tradicionais do Norte do Brasil. Segundo a memória coletiva amazônica, sua trajetória reúne cura, espiritualidade e resistência cultural, atravessando gerações e territórios.
Quem foi mestre Sacaca e suas origens no Amapá
Mestre Sacaca nasceu em Macapá, no estado do Amapá, em meados do século XX. Seu nome de batismo era Joaquim Borges da Silva.
Há indícios de que, desde jovem, acumulou conhecimentos sobre plantas medicinais e práticas de cura aprendidas por meio da oralidade. Esses saberes estavam profundamente ligados à experiência cotidiana das populações ribeirinhas e urbanas da região.
Pesquisadores apontam que mestre Sacaca dominava conhecimentos amplos sobre ervas, folhas, raízes e frutos da floresta amazônica. Esses saberes eram aplicados tanto no tratamento de enfermidades quanto no cuidado espiritual.
Ao longo dos anos, tornou-se referência comunitária em medicina tradicional. Seu nome passou a simbolizar, segundo a memória popular, a sabedoria amazônica e a relação respeitosa entre ser humano e floresta.
Atuação social e liderança comunitária
Para além da prática da cura, mestre Sacaca atuava como referência social em sua comunidade. Mestres tradicionais, como ele, exerciam funções de conselheiros, orientadores e mediadores em conflitos cotidianos.
Seu espaço de atuação não se limitava ao cuidado individual. O conhecimento que transmitia tinha impacto coletivo, fortalecendo vínculos comunitários e preservando práticas culturais ameaçadas pelo avanço urbano e institucional.
A trajetória de Mestre Sacaca se desenvolveu em um contexto histórico marcado pela desvalorização sistemática dos saberes populares amazônicos. Durante grande parte do século XX, práticas de cura tradicionais foram frequentemente enquadradas como charlatanismo, superstição ou atraso cultural frente à medicina científica oficial.
Curadores populares eram alvo de desconfiança institucional, perseguições administrativas e tentativas de controle por parte do poder público e de setores médicos. Essas ações buscavam subordinar os saberes tradicionais a modelos científicos europeizados, deslegitimando práticas transmitidas pela oralidade e pela experiência coletiva.
Colonialismo interno e o projeto nacional sobre a Amazônia
O silenciamento de mestres populares como Sacaca está diretamente ligado ao projeto nacional brasileiro, que historicamente tratou a Amazônia como fronteira de exploração econômica e não como território produtor de conhecimento.
Nesse modelo, os saberes indígenas, negros, ribeirinhos e populares foram posicionados à margem, enquanto o progresso era associado à ciência ocidental, à urbanização acelerada e à exploração dos recursos naturais. A existência de Mestre Sacaca confrontava esse projeto ao afirmar a Amazônia como espaço de ciência viva, espiritualidade e produção intelectual própria.
Assim, sua trajetória revela as tensões entre conhecimento tradicional e colonialismo interno, expondo como o Estado e as elites nacionais frequentemente ignoraram ou subalternizaram formas amazônicas de saber.
Memória, reconhecimento e o Museu Sacaca
Em Macapá, o Museu Sacaca preserva e valoriza saberes tradicionais da Amazônia. O espaço, que leva seu nome, homenageia a memória de mestres populares e promove educação cultural e ambiental.
Embora não seja um museu biográfico, o local simboliza o reconhecimento tardio da importância desses conhecimentos. Assim, a trajetória de mestre Sacaca permanece viva como referência cultural e histórica.
Em 2026, Mestre Sacaca é enredo da Mangueira no Carnaval carioca.
