Eugenia: o fascismo dentro da constituição brasileira

Você está acostumado com a ideia de que o nazismo e o fascismo ocorreram principalmente na Alemanha e na Itália. No entanto, entre os anos de 1910 e 1945, houve um movimento significativo no Brasil defendendo a ideia de uma ‘raça pura’ através da Eugenia. Essa ideologia é um absurdo, mas o mais alarmante é que raramente se discute que ela realmente ocorreu no Brasil.

A palavra ‘eugenia’ vem do grego e significa ‘bem nascido’. A ideia começou na Europa, com Francis Galton. Ele acreditava que todas as características eram hereditárias — não apenas a aparência física, mas também traços de personalidade. Com isso, Galton defendia que deveria haver uma seleção para que apenas os ‘melhores’ pudessem se reproduzir. Essa ideia chegou ao Brasil em 1914 e foi amplamente apoiada por médicos, jornalistas e até membros da Igreja.

Intolerância religiosa e o racismo andam juntos

Eugenia no Brasil

No Brasil, um dos principais nomes associados ao movimento foi o médico Renato Kehl, que defendia que o país só poderia crescer e evoluir se a ‘raça branca’ predominasse. Outro nome famoso que apoiou a eugenia foi Monteiro Lobato, que escreveu obras com fortes tons racistas. Esse grupo ignorava a realidade social e econômica, desprezando os motivos históricos que levavam os negros a serem mais pobres e marginalizados, como o recente passado escravocrata.

Os eugenistas acreditavam que características físicas de origem africana, como o cabelo e o formato do nariz, eram ‘propensas ao crime’. Isso levou a um incentivo ao ‘embranquecimento’ do Brasil, promovendo a imigração europeia e desestimulando a presença negra na sociedade. Não eram vozes isoladas. Essas ideias estavam institucionalizadas a ponto de serem promovidas na Constituição de 1934, no artigo 138, que sugeria que o governo deveria apoiar a educação e a promoção de ‘higiene social’.

No auge do movimento, o Brasil possuía o segundo maior partido nazista fora da Alemanha. Embora o Brasil não tenha adotado medidas extremas como a esterilização forçada ou a eutanásia, houve muita discriminação e marginalização, inclusive com estereótipos negativos e piadas racistas que ainda persistem. Nesse período, surgiram concursos de beleza que exaltavam o padrão de beleza ‘ideal’ com pele branca e olhos claros, promovendo a exclusão dos negros.

Demais preconceitos

Além do racismo, a eugenia brasileira era homofóbica e extremamente machista. As mulheres, por exemplo, não podiam viajar sem autorização dos maridos até os anos 30. Essa época foi marcada pela ditadura de Getúlio Vargas, que tinha admiração pelo governo de Hitler e até enviou representantes para aprender sobre a política nazista. Vargas só entrou na Segunda Guerra Mundial em 1942, após ataques a navios brasileiros por submarinos alemães.

O fim da Segunda Guerra e a derrota de Hitler enfraqueceram o movimento eugenista no Brasil, pois ficou claro para o mundo o que o extremismo racista podia causar. No entanto, o racismo e a homofobia continuam presentes no país, e nos últimos anos, discursos preconceituosos têm ganhado espaço, sendo defendidos como se fossem opiniões válidas.

Douglas Nunes

Quem sou eu: Douglas Nunes, Jornalista e Historiador

Sou Douglas Nunes, jornalista formado em 2010 e historiador formado em 2019, criador do Outro Lado da História. Há mais de 15 anos produzo conteúdo sobre história, política e sociedade — e nesse tempo publiquei mais de 400 artigos e vídeos no youtube, e alcancei mais de 1,6 milhão de visualizações com análises críticas sobre o Brasil e o mundo.
Meu trabalho parte de uma premissa simples: a história oficial raramente conta tudo. Há interesses, silêncios e perspectivas apagadas que mudam completamente a leitura dos acontecimentos — e é exatamente isso que busco revelar aqui.

Formação Acadêmica
Jornalismo — concluído em 2010
História — concluído em 2019
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0819713762694430

Trajetória Profissional
Ao longo da carreira, passei por redações e projetos de comunicação de grande relevância:

Jornal O Dia — Reportér
Brasil Econômico — Repórter
Escola Zico 10 — Assistente de Comunicação

Essa trajetória diversificada me deu uma visão ampla sobre como narrativas são construídas — e como podem ser questionadas.

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